ISSN: 2183-0266
  TRABALHOS DE ANTROPOLOGIA E ETNOLOGIA
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número 35 (4) / 1995

       Com a presente publicação do oitavo volume de Actas chegamos ao fim do compromisso assumido desde 1991/92 - perante os sócios da SPAE, os congressistas, os colegas que nos ajudaram, e as entidades que nos apoia-ram - da realização deste 1.º Congresso de Arqueologia Peninsular.
      Sem hipócrita modéstia, cremos que, em todos os aspectos, se exce-deram as expectativas: lembramos tão só, por ex., que os volumes de Actas estavam apenas, inicialmente, para ser só seis. E, se algum "calcanhar de Aquiles" temos, esse é o da distribuição dos volumes, cuja rapidez gosta-ríamos que acompanhasse a celeridade da respectiva produção; mas é evidente que o amadorismo de toda a estrutura organizativa do congresso é para nós, a esse nível, difícil de superar. A SPAE é uma pequena entidade, cujos sócios pagam uma quota simbólica, e que não dispõe de funcionários nem, mesmo, de um mínimo de espaço operacional de trabalho. Foi um autêntico "milagre", de esforço e de voluntarismo, termos concretizado este congresso. Por isso solicitamos agora a melhor compreensão de todos os sócios e participantes para as nossas deficiências estruturais, insuperáveis a curto prazo, mas que a SPAE irá tentando colmatar na medida do possível.
      Quisemos apenas provar que, mesmo com essas dificuldades, é possível conceber e levar à prática, com ousadia, em Portugal, realizações de grande monta, ultrapassando as atávicas desculpas da mediania, da inércia e do conformismo. De mãos dadas com os colegas da vizinha Espanha (como deveria acontecer em tantos aspectos da vida nacional), pusemos de pé o maior congresso de Arqueologia jamais realizado no nosso país, autêntico marco da história desta disciplina na nossa Península. Perdoem-nos se estamos orgulhosos disso: foram 5 anos das nossas vidas!
     Este último volume inclui os últimos textos de comunicações/posters chegados à nossa mão, bem como os resumos dos restantes (antes publi-cados no, por natureza efémero, "livro-guia"), isto é, daqueles trabalhos que, apesar dos prorrogamentos sucessivos de prazos, e de insistências cons-tantes, os autores não puderam ou quiseram enviar-nos. Insere ainda índices de todos os volumes, com os nomes da totalidade dos autores e das palavras-chave dos seus artigos, apresentados por ordem alfabética. A simples consulta destas listas dá uma ideia do que foi a variedade de pessoas e de temas que o congresso abrangeu.
      Por fim, inserimos um "dossier" especial sobre o património do rio Côa e sua problemática, por se tratar, a nosso ver, da questão - arqueológica, mas não só - mais importante que ocorreu na Arqueologia da nossa Península desde que o Congresso foi concebido e realizado. Pena é que não tenha havido a oportunidade de, nele, o assunto (na fase em que se encontrava em Outubro de 1993) ter sido equacionado; teria sido este o foro mais apropriado para tal, evitando-se talvez muito do que veio a acontecer depois. Mas, em vez de lamentar o passado, há que construtivamente olhar para o futuro, chamando de novo a atenção dos colegas para o facto, óbvio, de que o assunto do Côa - hoje um dos sítios de referência da arte rupestre mundial - diz respeito a toda a Península Ibérica (e não só). Precisámos, neste caso, da solidariedade activa e da colaboração de muitos colegas e cidadãos, para levar a melhor uma luta desigual que encarniçadamente travámos, durante muitos meses, em nome da cultura e da civilização, num esforço permanente para evitar um erro clamoroso (produto de profunda ignorância e altivez), que nos envergonharia para todo o sempre.
      Aos colegas, aos autores, aos jovens, às entidades que nos ajudaram a realizar este congresso, mais uma vez, obrigado, em nome da SPAE e de todos os organizadores. Nesse agradecimento, seja-nos permitido destacar a Reitoria da Universidade do Porto, que, com clarividência, compreendeu ser esta uma realização científica interdisciplinar capaz de prestigiar a insti-tuição em cujo seio se gerou e concretizou.
      Até Zamora, em Setembro do próximo ano, para o 2.° Congresso, ao qual
desejamos desde já o maior êxito!

                                                                      Porto, Agosto-Novembro de 1995 
                                                                                 Vítor Oliveira Jorge
                                                             Secretário-Geral do Congresso para Portugal

Volume 35 (4) (1995)
​​
Capa
 Imagem
(clique na imagem para download do volume 35 (4) da revista TAE)

Preâmbulo
Vítor Oliveira Jorge

A Arqueologia portuguesa em mapas e números
Fernando C. S. Real

Livre acesso ao passado: por uma Pré-história pluralista
Vítor Oliveira Jorge

Elementos para o estudo da cadeia operatória de produção de bifaces da indústria acheulense do Casal do Azemel (Vale do Rio Lis, distrito de Leiria, Centro de Portugal)
João Pedro Cunha Ribeiro

The Upper Paleolithic of the Rio Maior basin (Portugal). Preliminary results
of a 1987-1993 Portuguese-American research project

João Zilhão, Anthony E. Marks, C. Reid Ferring, Nuno F. Bicho,
Isabel Figueiral


Del Solutrense en la Peninsula lberica: el Solutrense en Portugal y
los inicias del Solutrense

Marco de la Rasilla Vives, César Llana Rodrígues

Evolución de la industria lítica en el yacimiento del Roc del Migdia
(Vilanova de Sau, Barcelona, Catalunya) durante los últimos diez mil anos

A. Rodríguez, E. I. Yll

Novas escavações arqueológicas na Serra da Aboboreira
Carla Stockler, José Manuel Varela

El fenómeno megalítico en la zona occidental de la Cordillera Bética
P. Aguayo

Um caso de metalurgia primitiva de ouro na 1.ª metade do 3º milénio AC:
o abrigo do Buraco da Pala - Mirandela

José Cavalheiro, Maria de Jesus Sanches

El poblado del Cabezo del Plomo (Mazarrón, Murcia).
Interpretación (Resumo)

Ana M.ª Muñoz Amilibia

Rochas com covinhas na região do Alto Tejo português
Francisco Henriques, João Carlos Caninas, Mário Chambino

The provenience of portuguese archaeological amber artefacts - a case study from Moreirinha (Beira Baixa)
Curt W. Beck, Raquel Vilaça

Notas para o estudo do urbanismo da cidade romana de Bobadela
Helena Frade, José Carlos Caetano, Clara Portas, José Luís Madeira

Tecnologia cerámica de las producciones de! alfar vallisoletano de
la calfe Duque de la Victoria

Miren Ayerbe lrizar, Olatz Villanueva Zubizarreta

Cerâmicas medievais de Braga
Maria Alexandra de Medeiros Lino Gaspar

O Côa numa perspectiva cultural
Manuel Maria Carrilho


DOSSIER CÔA

Apresentação
Vítor Oliveira Jorge

Poema para o Côa
Vítor Oliveira Jorge

Portuguese rock art: a general view
Vítor Oliveira Jorge, Susana Oliveira Jorge

Arte Rupestre do Vale do Côa. 1. Canada do Inferno. Primeiras impressões
António Martinho Baptista, Mário Varela Gomes

The stylistically Paleolithic petroglyphs of the Côa valley (Portugal) are of Paleolithic age. A refutation of their "direct dating" to recent times
João Zilhão

O sítio arqueológico paleolítico do Salto do Boi (Cardina, Santa Comba,
Vila Nova de Foz Côa)

João Zilhão, T. Aubry, A. F. de Carvalho, G. Zambujo, F. Almeida

Os métodos de "datação directa" aplicados no Côa
António M. Monge Soares

La valorisation du patrimoine archéologique, support du
développement économique

Henry de Lumley

Breves remarques à propos du si te d'art rupestre de Foz Côa (Portugal),
de son importance et de son devenir

Dominique Sacchi

Plano estratégico de salvaguarda e valorização do património do vale
do Côa - proposta

Geoideia

Parque Arqueológico do Côa. Ideias e propostas para um projecto
Alexandra Cerveira Pinto, Virgílio Hipólito Correia,
António Manuel Silva


Arqueologia do vale do Côa - A estação arqueológica da Quinta de Santa Maria da Ervamoira
Gonçalves Guimarães

Art paléolithique et Éthologie
António Bracinha Vieira

Quanto vale uma barragem?
Manuel Carvalho

Adeus Ervamoira
Manuel Carvalho

Casos, acasos, ocasos
Luís Raposo

A verdadeira importância das gravuras do Côa
Luís Raposo

O betão também se abate
Mário Melo Rocha

Da crítica do Plano Hidrológico Espanhol aos actuais impasses da
nossas política de Ambiente

Mário Baptista Coelho

A confusão de Foz Côa
António Ressono Garcia Lamas

Gente remota
Miguel Vale de Almeida

Compromisso com o Côa
Vítor Oliveira Jorge

O escândalo do Côa
João Pedro Cunha-Ribeiro, João Zilhão

O milagre de Foz Côa
Augusto Abelaira

Contra a humanidade
Manuel António Pina

Côa: "fundamentalismo" do betão?
Vítor Oliveira Jorge

Por que é que o património cultural do Côa não pode ir por água abaixo?
Vítor Oliveira Jorge

Património do Côa: novo esclarecimento à opinião pública
Vítor Oliveira Jorge

Todos temos a ver com o Côa
Vítor Oliveira Jorge

Foz Côa: o deserto de betume e as falsas oposições
Luiz Oosterbeek

Vila Nova de Foz Côa. Conservación y rentabilidad social del
património arqueológico

Alfonso Moure Romanillo

Deixem descansar os deuses
Cáceres Monteiro

Côa: cosmos ou caos?
Vítor Oliveira Jorge

Côa, rio do nosso deslumbramento
Vítor Oliveira Jorge

Política e ciência na questão do Côa
João Zilhão

Parque Arqueológico Nacional do rio Côa (PANRC): uma realidade a implementar urgentemente no interesse do bem comum
Vítor Oliveira Jorge

Foz Côa: o ónus da prova
José Mariano Gago

Rio Côa: um espaço natural monumentalizado
Vítor Oliveira Jorge

Faz-de-conta em Foz Côa
Nuno Ribeiro da Silva

Sobre o (precário) estado da Arqueologia em Portugal: breve depoimento
Vítor Oliveira Jorge

Côa: algumas etapas (condenadas ao fracasso) de uma ameaça de atentado contra o património mundial
Vítor Oliveira Jorge

Sobre a polémica da datação das gravuras rupestres do vale do Côa
João M. Peixoto Cabral

Os charlatães do Côa
António M. Monge Soares

"Les jeux sont faits"
Luís Raposo

Côa, a barragem silenciosa
João Pedro Cunha-Ribeiro

Foz Côa: referência universal de uma nova arqueologia portuguesa
Vítor Oliveira Jorge

A propósito da arte do Côa
António Bracinha Vieira

Gravuras do Côa: função e utopia
António Bracinha Vieira

Datação paleoecológica das gravuras do Côa
António Bracinha Vieira

Placing "rock art" in its archaeological context: the case of the high Douro region, and particularly of the Côa area (north of Portugal) in late prehistory
Susana Oliveira Jorge

Rock art and archaeological excavation in Portugal: some remarks
Vítor Oliveira Jorge

Foz Côa, une découverte exceptionnelle
Denis Vialou

Arcaísmos na Arqueologia portuguesa
Francisco Sande Lemos

Arqueologia portuguesa - alguns pressupostos de uma nova dinâmica
Vítor Oliveira Jorge

Sobre los grabados de Foz Côa y su cronología
César González Sainz

Reflexiones sobre el conjunto de grabados rupestres de Foz Côa
Antonio Beltrán

O santuário de arte rupestre do vale do Côa. Da política dos adiamentos
ao escândalo da desinformação

Vítor Serrão

A defesa do santuário de arte rupestre do Côa, imperativo cultural
do povo português

Vítor Serrão

O «drama» da água, Malthus e o clube de Roma
Nuno Ribeiro da Silva

Um património para a nossa vida
Augusto Santos Silva

O Côa e as «Letras»
Vítor Oliveira Jorge

Cultura, Arqueologia, e algo mais: um desafio para uma política transversal
Vítor Oliveira Jorge

Nada de novo
Clara Pinto Correia

Lição do Côa - ponto de vista de um repórter
José Gomes Bandeira

Salvar o Côa: o Movimento Internacional para a Salvaguarda da
Arte Rupestre do Vale do Côa

Mila Simões de Abreu


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