ISSN: 2183-0266
  TRABALHOS DE ANTROPOLOGIA E ETNOLOGIA
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número 58 / 2018

       Esta revista (inicialmente designada Trabalhos da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia, órgão da SPAE), nasceu em 1919, com o fim especial de estabelecer um elo de ligação entre a SPAE e seus sócios e o mundo científico em geral, e também, através de intercâmbio com revistas congéneres, de enriquecer a biblioteca da associação. Nos tempos de Mendes Corrêa, um dos fundadores, e, mais tarde, de Santos Júnior, seu continuador, a SPAE e os TAE estavam intimamente ligados à Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e ao seu Instituto de Antropologia (este hoje extinto). Em 2010 a Reitoria da UP concedeu-nos um espaço para arrumo de publicações antigas (nossas, e as resultantes de intercâmbio), situado num prédio da Universidade, na Praça Coronel Pacheco, n.º 15, no Porto. A partir de Janeiro de 2015, por contrato assinado com a Reitoria da UP,  esse espaço passou a ser o da nossa sede, ainda hoje em instalação. De facto, já em 2016, a nossa biblioteca foi doada, em cerimónia pública, à Universidade do Porto, com o fim desta vir a poder tratá-la e a disponibilizá- -la em condições aos investigadores, estudantes, e a todos os interessados; condições essas que nós, como associação, de todo não possuímos. O objetivo é manter esse acervo funcional e homogéneo, e, se tal for possível à Universidade, esta o ir colocando online, para mais fácil acessibilidade. Porém, ainda aguardamos a saída desse acervo da nossa sede, para assim também podermos organizar e utilizar melhor o nosso espaço disponível. Foi-nos prometido que tal ocorrerá ainda neste ano, para nós muito significativo, de 2018.
    A verdade é que os Trabalhos de Antropologia e Etnologia se foram tornando uma revista de referência, nomeadamente a partir de 1997, ano em que eles ganharam novo aspecto gráfico, dinâmica e conteúdo. De facto, assumiram por inteiro o seu carácter interdisciplinar e transdisciplinar, adentro do vasto campo das chamadas ciências sociais e humanas.
       Sem dúvida, apesar de todas as dificuldades, e nomeadamente a partir da renovação da SPAE, os TAE deram lugar e voz a uma grande diversidade de autores, muitos deles jovens, e publicaram estudos de investigadores consagrados, marcando um espaço próprio adentro das publicações periódicas científicas, anuais, portuguesas, de ciências sociais e humanas, indo portanto para além do exclusivo campo da antropologia social ou cultural, mesmo tomada no seu sentido alargado. Os temas que obviamente nos importam são todos os que de algum modo contribuam para compreender melhor o ser humano e a sociedade, em toda a sua imensa complexidade.
       A partir de 2012 inclusive optámos por esta solução de revista em linha (online), de acesso gratuito e livre, que chega a um numeroso, infinitamente maior, conjunto de leitores. Cremos que o presente volume é um dos mais interessantes até hoje publicados, até porque inclui um dossiê aliciante, graças à colaboração dos nossos colegas e amigos do ISCTE, Professores Jorge Freitas Branco e António Medeiros, que muito agradece-mos. Entretanto estamos a celebrar o Centenário da associação e mais uma vez convidamos todos os colegas e interessados a fazerem-se sócios da SPAE, reforçando uma instituição prestigiada, mas, hoje, com apenas algu-mas dezenas de associados... necessitamos de pessoas que disponham do espírito generoso e dedicado que é intrínseco ao trabalho voluntário, cuja “recompensa” é o prazer que dá a quem o faz. Cordialmente apresento de novo aos leitores os nossos votos de boas leituras.

                                                                                               Vítor Oliveira Jorge 
                                                                                                 Director da revista 

Volume 58 (2018)
​​Capa
Ficha Técnica
Estatuto Editorial
Sumário
Conselho Redactorial
Contracapa
Imagem
(Clique na imagem para download do volume 58 da revista TAE)
​​Preâmbulo

Os organismos, a sensibilidade e a origem das mentes. Conciliando Biologia e Psicologia
Marina Prieto Afonso Lencastre

Inteligibilidade, dualidade. O sentimento de inteligibilidade em Fernando Gil
Inês Sousa

Medo, morte e música
João-Heitor Rigaud

Matrilinearidade e cultura(s) na Índia contemporânea: das culturas tribais à Etnografa e à Etno-Literatura – identidade cultural e representações sociais
da “mulher” na sociedade e na cultura indianas

Ana Paula Fitas

A religiosidade afro-brasileira na história do Rio Grande do Norte no início do século XXI: intolerância contínua versus resistência crescente
Geraldo Barboza de Oliveira Junior

Arqueologia, Pré-história, Psicanálise: algumas considerações em torno da liberdade de saber
Vítor Oliveira Jorge

Primitivos Somos Nós
Vítor Oliveira Jorge

DOSSIÊ
ENREDOS IBÉRICOS: COMIDAS, RITOS, POLÍTICAS DE PATRIMÓNIO


Introdução
Jorge Freitas Branco, António Medeiros
​
Algunas paradojas de la modernidad alimentaria
Jesús Contreras

As leguminosas: da obscuridade à celebração
José Manuel Sobral

Entre o lacón con grelos e o festival do cabrito: usos da memória e novas funcionalidades nos entroidos galegos
Paula Godinho

Comidas para turistas, comidas para nativo
Pedro Tomé

Nota aperitiva. Elogio da lentidão. A imparável marcha dos caracóis rumo ao Norte de Portugal: gastronomia estival e fronteiras culturais
Jean-Yves Durand

Mesa y reproducción: la gran metáfora que vincula dieta y fertilidad masculina
Consuelo Álvarez Plaza

Entre abundância e insegurança alimentar: soja e processos de globalização
Virgínia Henriques Calado

Culinary Resistance?
Brian Juan O’Neill

Comida, comensalidade e reclusão. Sentidos do que se (não) come,
como e com quem numa prisão portuguesa

Manuela Ivone Cunha

Comer e beber as paisagens: alimentação e turismo nos restaurantes de Vila Real
Xerardo Pereiro, Manuel Luís Tibério, Vítor Rodrigues

Alimentación fitness. Notas etnográfcas sobre salud, cuidado e ideología
Lorenzo Mariano Juárez

O corpo que come: comida, visualidade e turismo (Portugal, 1969-72)
Sofia Sampaio

Comida y sexualidad en cartas postales de amor
Julián López García

Clausura globalizada: os ejemplos de interacción ontemporánea a través de la alimentación en congregaciones femeninas
Elena Freire Paz

“Andamos todo o ano a trabalhar para a festa”: festa e dádiva no bodo de Monfortinho
Eddy Chambino

O bodo de Salvaterra do Extremo: saberes e rituais
Vasco A. Valadares Teixeira

Del gusto de ambigú al necrogusto en el Puerto de Veracruz (México)
Juan Antonio Flórez Martos

Cantinas coloniais e o vinho português na capital de Moçambique
Nuno Domingos

Parajes deleitosos. Paisaje, mesa y evocación poética: ruedos, chacras y huertos
Pedro A. Cantero


O Ciclo Pascal em Idanha-a-Nova
António Silveira Catana

Patrimonialización de la misa asturiana de gaita, Bien de interés cultural
Ángel Medina

Semana Santa de Ávila: patrimonio y turismo
María Cátedra

Coentros e garam masala. Passar fronteiras académicas através da cozinha
Rita Ávila Cachado


Património à mesa dos macaenses em Portugal
Marisa C. Gaspar

Um relato etnográfico sobre imaterialidades dos Luso-Bnei-Anussim no Nordeste português
Marina Pignatelli

‘Lembranças da Terra’. Notas para uma etnografIa da produção de artesanato nas cidades do Mindelo e da Praia, Cabo Verde
Eduarda Rovisco

Consumir y consumar naturaleza. Prácticas turísticas en la naturalización de la Sierra de Aracena
Esteban Ruiz-Ballesteros

Do prato ao reconhecimento público: o menu das confrarias gastronómicas
Luis Cunha

De politica, religión y distopia
Enrique Luque


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